sábado, 6 de setembro de 2008

A vida sem Amor...!




A vida sem amor, amizade, boas relações afectivas, benevolência e entrega incondicional perde parte do seu sentido e pode converter-se num baldio. Não é fácil, no entanto, estabelecer vínculos afectivos consistentes, nem desenvolver uma atitude de amizade incondicional e amor desinteressado, porque para isso é preciso ir-se libertando das correntes do ego. A partir do ego, surgem linhas paralelas que não se encontram; partir do ser, surge outro tipo bem diferente de comunicação, ou inclusive comunhão. As atitudes demasiado egocêntricas e as tendências compulsivas de afirmação do ego, não só ressentem todo o tipo de genuína relação afectiva, como impedem os laços saudáveis e livres. Também a amizade exige os seus requesitos e tem as suas leis, assim como qualquer verdadeira actividade e ou baseada no egoísmo ou no perverso utilitarismo. O sentimento de amor adquire muitas e mútiplas manifestações, mas seguramente a mais bela, quando realmente o é, é a da amizade. Esta amizade não incompátivel nem mesmo com amor do casal, e quando a verdadeira amizade existe, a relação sentimental pode acabar, mas devia permanecer a amistosa.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Desejo


Desejo primeiro que você ame,
e que amando,também seja amado.
E que se não for,seja breve em esquecer.
E que esquecendo,não guarde mágoa.
Desejo, pois,que não seja assim,mas se for,
saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconsequentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles,haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco,porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insonsso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outro sim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga «Isso é meu»
só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Perto e Longe


A nossa condição passa-se entre o que somos e fazemos em cada momento e aquilo que projectamos e desejamos fazer no futuro. E podem acontecer três coisas: ou vivemos o presente com a serenidade de que estamos no caminho de um futuro escolhido por nós; ou vivemos desencantados porque o que fazemos não tem nada a ver com o que realmente queremos; ou, por fim, vivemos na indiferença e no desinteresse, porque não pensamos no que fazemos com horizonte de futuro.Os dias são muito complexos e em tantas acções que fazemos, umas são felizes, outras tristes e outras indiferentes. O que poderia dar a qualidade maior e a unidade ao que faço? Muitas vezes passa por escolhas e opções de fazer sobretudo aquilo que realiza os meus desejos autênticos, se for possível hoje. Ou então, de olhar para o que faço agora sem esquecer o que quero vir a ser e a fazer.Entre o perto e o longe, temos um movimento que nós podemos controlar ou podemos, pelo contrário, ser arrastados por ele. Acho que não é bom nem uma coisa nem outra. Prefiro falar de controlar como orientar e decidir, e arrastar como confiar e entregar. Cada gesto seria mais simples e mais autêntico.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Recomeça


Sísifo


Recomeça...

Se puderes,Sem angústia e sem pressa.

E os passos que deres,

Nesse caminho duro

Do futuro,

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,

Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar

E vendo

Acordado,

O logro da aventura.

És homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura

Onde, com lucidez, te reconheças.


Miguel Torga, in Diário XIII

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Esperança...!


A esperança adquire-se. Chega-se à esperança através da verdade, pagando o preço de repetidos esforços e de uma longa paciência. Para encontrar a esperança é necessário ir além do desespero. Depois da noite vem o dia....! A esperança não é um sonho, mas uma maneira de traduzir os sonhos em realidade.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Absolutizar!


Uma grande tentação nossa é a de absolutizar. Pegar num acontecimento negativo e dizer: «é tudo assim». Olhar um problema sério e não ser capaz de ver mais nada para além disso. Absolutizar cega e escraviza. O caminho é, pois, o de relativizar, não tirar do contexto, ver também o resto dos acontecimentos e, depois, relacionar com outras exigências. Relativizar e relacionar. Começa aí o caminho de paz.

sábado, 26 de julho de 2008

Sonhos...!


"Somos do tamanho de nossos sonhos"
(Fernando Pessoa)

sexta-feira, 25 de julho de 2008

quinta-feira, 24 de julho de 2008

This Song....!

Alguém....!


Conhecer alguém aqui e ali que pensa e sente como nós, e que embora distante, está perto em espírito, eis o que faz da Terra um jardim habitado.
(Goethe)